A Avenida Comercial Norte, um dos pontos mais tradicionais do Distrito Federal, enfrenta uma crise com o fechamento em massa de lojas. O cenário de calçadas cheias e vitrines atraentes deu lugar a placas de “aluga-se”, o que preocupa sobre o esvaziamento urbano da região.
Para Hélio Eustáquio da Silva, proprietário da Hélio Imóveis, o declínio é resultado de fatores como carga tributária e mudanças no comportamento do consumidor. “Há muitos imóveis desocupados, especialmente em função dos frequentes aumentos de impostos e da mudança de mentalidade das pessoas, que hoje preferem consumir em locais com maior concentração de lojas, como os shopping centers”, afirma.
Segundo o corretor, o tempo médio para locação na área gira em torno de oito meses. A grande oferta de espaços ampliou os prazos e deu maior poder de barganha aos interessados. “No comércio, sempre será a lei da oferta e da procura que baliza as relações entre locadores e locatários”, explica. Ele também critica o valor do IPTU, que considera exorbitante e fora da realidade dos comerciantes.
Alisson David, de 30 anos, que trabalha no setor de vestuário masculino, relata que o movimento caiu bastante e a insegurança aumentou. “Fechamos a loja às 19 horas e a falta de policiamento preocupa muito”, conta. Ele também menciona relatos de assaltos na Avenida Sandu e pede mais vigilância.
O atendente José Pereira, de um brechó local, destaca que a presença de moradores de rua nas calçadas afasta os clientes. “As pessoas ficam receosas de passar ou de entrar”, diz. Apesar das dificuldades, a proprietária do brechó não cogita migrar para o atendimento online e cobra ações do GDF para revitalizar a região.
A produtora rural Maria Aparecida Silva, de 56 anos, frequenta a Comercial Norte toda semana e afirma que o fechamento em massa das lojas e a falta de segurança afastaram o público. “O que falta de verdade é o policiamento e a segurança pública”, opina.
O motorista de aplicativo Anderson Fábio dos Santos, de 37 anos, acredita que o custo dos aluguéis está sufocante. “Muitos proprietários cobram valores fora da realidade”, diz.
A Administração Regional de Taguatinga informou que não tem um mapeamento do número exato de estabelecimentos fechados. O administrador alega que o esvaziamento reflete uma mudança iniciada na pandemia, com muitos lojistas migrando para o comércio eletrônico ou para regiões como Águas Claras, Vicente Pires e Samambaia. Como resposta, a Administração aposta em um projeto de política de ocupação que tramita na Secretaria de Estado de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh), focado na revitalização da Comercial Norte e Sul, além da Samdu Sul e Samdu Norte.
