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Prólogo, Prefácio e Epílogo: Diferenças e Exemplo Pronto

Três nomes que quase todo autor iniciante troca entre si, com um modelo de abertura para copiar e adaptar.

Por · · 6 min de leitura
Pilha de livros de capa dura com fitas marcadoras coloridas entre as páginas

Pilha de livros de capa dura com fitas marcadoras coloridas entre as páginas

Poucas confusões editoriais são tão persistentes quanto a que envolve prólogo, prefácio e epílogo. Os três nomes vêm do grego, os três ficam nas bordas do livro e os três são trocados entre si em publicações independentes todos os dias. A diferença, porém, é objetiva e não depende de gosto: muda quem escreve, muda onde entra e muda o que o texto pode fazer.

Abaixo estão as três definições sem rodeio, um exemplo de prólogo de um livro escrito para servir de molde e os critérios para decidir se a sua obra precisa de algum deles.

A diferença entre prólogo e prefácio em uma frase

O prólogo é narrativa: pertence à história, é assinado pelo autor e o leitor que pular perde enredo. O prefácio é comentário: fala sobre a obra, quase sempre é assinado por outra pessoa e pode ser pulado sem prejuízo nenhum ao entendimento.

O epílogo fecha o par com o prólogo. Também é narrativa, também é do autor, mas vem depois do desfecho para mostrar o que aconteceu com aquele mundo depois que a ação principal terminou.

Onde cada peça entra e quem a escreve
Elemento Posição Autoria Pode ser pulado?
Prefácio Antes do sumário Terceiro convidado Sim, sem perda
Prólogo Depois do sumário, antes do capítulo 1 O autor da obra Não, é enredo
Epílogo Depois do último capítulo O autor da obra Não, é enredo

Quando o seu livro realmente precisa de um prólogo

A resposta honesta é: quase nunca. Editores rejeitam prólogos com frequência porque a maioria deles é informação de contexto que o autor não conseguiu costurar dentro da narrativa. Existem, porém, quatro situações em que o recurso se justifica:

  • Salto temporal grande. A história principal começa vinte anos depois de um evento que precisa ser visto, não resumido.
  • Narrador diferente. A voz do prólogo não é a do resto do livro, e essa troca tem função.
  • Promessa de tensão. O capítulo 1 é lento por necessidade, e o prólogo antecipa o conflito para segurar o leitor.
  • Mundo desconhecido. Em fantasia e ficção científica, uma cena inicial pode ensinar as regras do universo sem parágrafo explicativo.

Se o seu prólogo não se encaixa em nenhum desses casos, provavelmente ele é o capítulo 1 esperando ser renomeado.

Exemplo de prólogo de um livro

O modelo a seguir tem cerca de 180 palavras e cumpre as três funções que se espera de uma abertura narrativa: estabelece um lugar, cria uma pergunta e sai antes de responder.

Prólogo

A água chegou primeiro à sala dos mapas. Foi por isso que ninguém percebeu a tempo: aquele era o único cômodo da casa em que já não entrava ninguém desde a morte do velho, e os mapas eram apenas papel encostado numa parede que ninguém olhava.

Quando a empregada abriu a porta, na manhã de terça, o chão tinha um palmo de lama e as cartas náuticas boiavam de barriga para cima como peixes. Ela não gritou. Fechou a porta, desceu os três degraus até a cozinha e serviu o café como servia em qualquer outro dia.

Só à noite, quando a família se reuniu para decidir o que fazer com a casa, é que alguém perguntou por que os mapas estavam ali. A pergunta ficou no ar por uns bons dez segundos. Ninguém sabia responder.

O que se sabia era menos do que se imaginava. E a lama, no fim, foi a menor das coisas que aquela terça-feira trouxe.

Repare no que o trecho não faz: não apresenta personagens por nome completo, não explica a genealogia da família e não antecipa o desfecho. Prólogo que explica demais deixa de ser gancho e vira sinopse.

O que evitar ao escrever um prólogo

  • Despejo de contexto. Duas páginas de história do reino antes que aconteça alguma coisa.
  • Cena de ação sem apego. Perseguição com personagens que o leitor nunca mais verá.
  • Sonho ou premonição. Recurso gasto e quase sempre lido como trapaça.
  • Excesso de páginas. Acima de mil e duzentas palavras, é capítulo.

Prefácio: quem convidar e o que pedir

O prefácio existe para transferir credibilidade. Por isso não faz sentido escrever o próprio prefácio: sem o nome de um terceiro, ele perde a única função que tem. Ao convidar alguém, peça três coisas específicas em vez de deixar o texto solto:

  1. Por que o tema importa agora.
  2. O que qualifica o autor a tratar dele.
  3. O que o leitor deve observar durante a leitura.

Vale entender também a família inteira de páginas que abre o volume, porque o prefácio é só uma delas. O panorama completo está em como se chama a parte introdutória de um livro, incluindo apresentação e nota do autor.

Epílogo: o fechamento que ninguém pediu, mas alguns livros precisam

O epílogo responde à pergunta que o leitor faz ao virar a última página: e depois? Ele funciona bem em três casos, o salto temporal, o desfecho de personagem secundário e a abertura para continuação. E funciona mal quando serve para o autor amarrar pontas que ele mesmo deixou soltas por descuido.

Uma boa medida: se o epílogo é indispensável para que o final faça sentido, o problema não está no epílogo, está no último capítulo.

Vale lembrar que essas peças conversam diretamente com a promessa feita na capa. Ajustar a abertura sem revisar o título de um livro costuma produzir uma obra que promete uma coisa e entrega outra logo na primeira página.

Para ver os três recursos funcionando em uma narrativa contemporânea de grande circulação, vale acompanhar a análise de 31 Dias Para Te Amar, que usa abertura e fechamento com funções bem marcadas.

Perguntas Frequentes sobre prólogo, prefácio e epílogo

Prólogo e prefácio são a mesma coisa?

Não. O prólogo é parte da narrativa, escrito pelo autor, e traz enredo que o leitor precisa conhecer. O prefácio é um texto de apresentação, quase sempre escrito por outra pessoa, que comenta a obra de fora e pode ser dispensado sem prejuízo à compreensão da história.

Prólogo e epílogo se equivalem?

Eles são o par de abertura e fechamento da narrativa. O prólogo vem antes do primeiro capítulo e prepara o terreno, o epílogo vem depois do último e mostra o que restou. Nem toda obra que tem prólogo precisa de epílogo, e o contrário também é verdadeiro.

Qual o tamanho ideal de um prólogo?

Entre quinhentas e mil e duzentas palavras na maioria dos casos, o equivalente a duas ou três páginas impressas. Acima disso o texto perde a função de gancho e passa a competir com o primeiro capítulo pela atenção do leitor.

O autor pode escrever o próprio prefácio?

Tecnicamente pode, mas nesse caso o nome correto passa a ser introdução ou nota do autor. O prefácio tira sua força justamente de ser assinado por um terceiro que empresta credibilidade à obra, e essa função desaparece quando o próprio autor o escreve.

Prólogo em livro de não ficção funciona?

Raramente. Prólogo pressupõe narrativa, e ensaios, manuais e livros técnicos trabalham com argumentação. Nesses gêneros o nome adequado é introdução, que expõe tema, recorte e método em vez de contar uma cena.

Veja também: o que reunimos sobre livros e a nossa página de dicas.

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