O Transtorno do Espectro Autista (TEA) afeta aproximadamente 34,5 mil pessoas no Distrito Federal, o que corresponde a 1,2% da população local, de acordo com dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O transtorno é caracterizado por desafios na comunicação, na interação social e por padrões de comportamento repetitivos.
Em abril, mês que marca o Dia Mundial da Conscientização do Autismo, a campanha busca ampliar o conhecimento sobre o TEA, combater o preconceito e promover a inclusão social. Viviane Veras, gerente do Centro de Referência Especializado em Transtorno do Espectro Autista (Cretea), ressalta a importância do período. “Um mês dedicado ao autismo é de grande importância para aumentar a conscientização e reduzir o preconceito. Ajuda as pessoas a entenderem melhor sobre o transtorno e a respeitarem as diferenças”, afirmou.
A rede pública de saúde do DF registrou 8.237 atendimentos individuais na Atenção Primária e outros 134.987 procedimentos na atenção especializada e na rede contratada, relacionados ao autismo.
A história de Gabriela Anchieta, de 34 anos, ilustra a jornada de diagnóstico. Ela identificou sinais de autismo em sua filha Emanuele, hoje com 4 anos, quando a bebê tinha oito meses de idade, ao perceber reações como desorientação com luzes fortes. Após acompanhar o desenvolvimento da menina e buscar uma médica, o diagnóstico foi confirmado. Emanuele foi uma das primeiras pacientes do Cretea, inaugurado em dezembro de 2025. Desde então, Gabriela observa progressos. “A Manu desenvolveu muito a fala, começou a interagir com outras crianças. A minha tristeza como mãe era que a Manu não falasse com as pessoas. E, hoje, ela já está interagindo aos poucos”, relatou.
O centro especializado atua com diagnóstico, intervenções e orientação às famílias. De dezembro de 2025 até o fim de março deste ano, 80 crianças foram agendadas e 66 passaram por avaliação. Do total avaliado, 52,5% tiveram o diagnóstico de TEA confirmado.
Outro caso é o de Valdinéia Silva, de 39 anos, mãe de Sabrina, de 6 anos. A menina apresentava agressividade e baixa interação social quando era mais nova. Após três anos de tratamento, os avanços são notáveis. “Os vizinhos me falam que nem parece a mesma criança de antes. É muito importante correr atrás do tratamento e fazer igual em casa, ficar ensinando constantemente”, disse Valdinéia.
Como parte das ações do Abril Azul, o Cretea organizou uma programação especial com atividades para pacientes e seus familiares, alinhadas ao plano terapêutico de cada um. Na quinta-feira (2), um evento na Mansão Cataventos, no Park Way, ofereceu diversão e interação. Valdinéia e Sabrina participaram. “Achei maravilhosa a iniciativa e eu nem esperava. É muito bom para eles e para a gente, já que as crianças brincam e interagem e a gente consegue se distrair”, comentou a mãe.
A agenda inclui ainda uma visita ao Planetário de Brasília, no dia 16 de abril, e uma atividade de equoterapia recreativa, marcada para o dia 30. A programação completa pode ser consultada em material divulgado pelo centro.
O trabalho de conscientização e suporte às famílias visa garantir que as pessoas com autismo tenham acesso aos recursos necessários para seu desenvolvimento. A existência de um centro de referência como o Cretea facilita o acesso a diagnósticos especializados e a terapias adequadas, que podem fazer diferença no dia a dia de muitas crianças. A iniciativa do Abril Azul reforça a necessidade de discussão constante sobre inclusão e respeito às diferenças em toda a sociedade.
