A biodiversidade de dois parques nacionais brasileiros está em destaque na Europa com a exposição ‘Tesouros Verdes do Brasil – Diversidade Tropical sob a Proteção dos Parques Nacionais’. A mostra foi inaugurada em 19 de março no Centro de Visitantes do Parque Nacional da Floresta Negra, na Alemanha, e deve permanecer por mais seis meses.
A exposição apresenta o Parque Nacional do Itatiaia, na Mata Atlântica, e o Parque Nacional do Pico da Neblina, na Amazônia. O objetivo é promover o diálogo sobre esses biomas brasileiros com o público internacional.
A iniciativa é resultado de uma parceria firmada durante a COP30, que aconteceu em novembro de 2025 em Belém, no Pará. O acordo busca intercambiar experiências em gestão de áreas protegidas e práticas sustentáveis.
A mostra também alerta para o papel das florestas na regulação do clima global. Ela pretende ajudar a firmar acordos para ações conjuntas entre Brasil e Alemanha na área ambiental.
Cassiano Augusto Ferreira Rodrigues Gatto, chefe do Parque Nacional do Pico da Neblina, falou sobre a cooperação diplomática. Ele disse que isso facilita a aproximação entre os parques dos dois países.
Gatto destacou a necessidade de parcerias em pesquisa e turismo de base comunitária. Ele mencionou a importância de envolver comunidades indígenas, como os Yanomami, que ocupam metade da área do parque na Amazônia.
O chefe do parque fez um contraste sobre monitoramento. Enquanto a Alemanha tem 500 estações em 10 mil hectares na Floresta Negra, o Pico da Neblina, com seus 2,3 milhões de hectares, não possui estações de monitoramento. A parceria pode criar protocolos que usem o conhecimento tradicional das populações locais.
Felipe Mendonça, chefe do Parque Nacional do Itatiaia, vê a exposição como um fortalecimento da atuação internacional das unidades de conservação. Ele também mencionou o reconhecimento de ações locais em educação ambiental e inclusão.
Mendonça citou a troca de experiências como um ponto central. O conhecimento brasileiro em manejo integrado do fogo pode ser útil para a Alemanha, que enfrenta incêndios e pragas. Em troca, o país europeu oferece expertise em monitoramento ambiental. Videoconferências estão planejadas para discutir esses temas.
A exposição na Alemanha reúne imagens, expressões artísticas e desenhos. Parte do material vem de crianças de escolas públicas do entorno do Itatiaia, que participam de programas de visitação.
Também há trabalhos de jovens e adultos com deficiência intelectual atendidos pela APAE, mostrando um compromisso com inclusão e acessibilidade. Do Pico da Neblina, a mostra exibe trabalhos feitos por crianças Yanomami, promovendo a preservação ambiental.
O Parque Nacional do Itatiaia foi criado em 1937. Localizado na Serra da Mantiqueira, ele abrange municípios do Rio de Janeiro e de Minas Gerais. Seu ponto mais conhecido é o Pico das Agulhas Negras.
Já o Parque Nacional do Pico da Neblina foi estabelecido em 1979. Ele cobre uma área de 2.252.616 hectares no estado do Amazonas e abriga o ponto mais alto do Brasil, com 3.014 metros de altitude.
O Parque Nacional da Floresta Negra, na Alemanha, foi reconhecido em 2014. Ele é citado como um exemplo de conservação de ecossistemas únicos aliada ao turismo sustentável, servindo de anfitrião para a exposição brasileira.
A cooperação entre os parques é vista como um caminho para melhorar a gestão e a proteção ambiental. O intercâmbio de técnicas e conhecimentos pode trazer benefícios práticos para a preservação dos ecossistemas em ambos os países.
A exposição funciona como um ponto de encontro para ideias e futuros projetos. Ela mostra como a conservação da natureza pode ser um tema de interesse e ação global, unindo nações com realidades ambientais diferentes.
