Os argumentos finais no novo julgamento do ex-produtor de cinema americano Harvey Weinstein começaram nesta terça-feira, 21 de maio. O júri de 12 membros em Nova York ouve as alegações sobre a acusação de estupro feita pela atriz Jessica Mann.
Harvey Weinstein, de 74 anos, já está preso por outros casos e permanecerá encarcerado independentemente do resultado deste novo veredicto. Ele é uma figura central no surgimento do movimento #MeToo.
O julgamento anterior sobre o caso de Jessica Mann foi anulado em junho devido a divergências entre os jurados. O processo atual teve início no dia 14 de abril.
Weinstein compareceu ao tribunal da Suprema Corte de Nova York, em Manhattan, em uma cadeira de rodas. Ele responde por acusação de estupro em terceiro grau.
A promotora-adjunta Candace White afirmou que o caso se trata de “poder, controle e manipulação”. Ela acusou o ex-produtor de usar sua influência em Hollywood para se aproveitar de Mann, prometendo-lhe um papel em um filme sabendo que ela não teria chance.
A promotora disse ao júri que a infância de Mann, marcada por abusos sexuais, a tornou o “alvo perfeito”. “O réu se aproveitou de uma jovem vulnerável”, acrescentou. O advogado de defesa, Jacob Kaplan, argumentou que a questão central é “consentimento, livre arbítrio e arrependimento”.
O advogado de Weinstein acusou a atriz de esconder um relacionamento de anos com seu cliente porque ela “não queria que os outros pensassem que ela estava dormindo com ele para alcançar o sucesso”.
O ex-produtor já cumpre uma pena de 16 anos de prisão por estupro de outra atriz, decisão proferida por um tribunal de Los Angeles, na Califórnia. Seus advogados recorreram dessa sentença.
A defesa também recorreu de outra condenação, por agressão sexual contra a produtora de cinema Miriam Haley.
Weinstein contratou uma nova equipe jurídica para este julgamento, que inclui o advogado Marc Agnifilo. Ele representa outras figuras públicas, como o rapper Sean ‘Diddy’ Combs.
O caso que expôs as acusações contra Weinstein veio à tona através de denúncias de mais de 80 mulheres, publicadas pelos jornais The New Yorker e The New York Times. Essas reportagens motivaram a criação do movimento MeToo em 2017.
O escândalo levou a uma série de processos judiciais contra o ex-produtor em diferentes estados dos EUA. Além das penas já impostas, ele ainda aguarda o desfecho deste novo julgamento em Nova York.
