O Grupo Pão de Açúcar (GPA) encerrou o segundo trimestre com queda de 9,6% na receita líquida, que somou R$ 4,2 bilhões. O prejuízo líquido consolidado foi de R$ 252 milhões, 16,2% maior do que no mesmo período do ano anterior. A recuperação extrajudicial em curso afetou a disponibilidade de produtos nas lojas.
As vendas totais caíram 7% na comparação anual. Segundo a empresa, isso reflete o fim do formato “aliados”, modelo de venda direta para pequenos comércios, e o reequilíbrio das vendas no e-commerce, que passou a priorizar canais próprios. Sem considerar o impacto do portfólio de lojas e o efeito calendário, a retração foi de 0,8%.
A recuperação extrajudicial, anunciada em março, afetou o abastecimento. O GPA relatou um aumento temporário nos níveis de ruptura, com alguns produtos tendo o fornecimento afetado. O problema atingiu o pico em maio e apresentou melhora gradual, com crescimento de vendas em junho.
As vendas em mesmas lojas caíram 1,2% nas unidades do Pão de Açúcar, impactadas pela ruptura e pela deflação em mercearia básica. O setor de perecíveis teve bom desempenho. No Extra Mercado, houve alta de 0,4%, influenciada por ações promocionais entre maio e junho. Nas lojas de proximidade, como Minuto Pão de Açúcar e Mini Extra, as vendas caíram 2,3% no trimestre.
O e-commerce registrou queda de 16,2%, totalizando R$ 504 milhões. A companhia afirma que a operação melhorou a rentabilidade, com foco nos canais próprios. O Ebitda ajustado foi de R$ 450 milhões, alta de 7,3%.
O GPA apresentou uma simulação das contas caso o plano de recuperação seja aprovado. Nesse cenário, a dívida líquida cairia de R$ 3,6 bilhões para R$ 1,2 bilhão, uma redução de 68%. A alavancagem recuaria de 3,9x para 1,3x.
O CEO Alexandre Santoro afirmou que, com a homologação judicial, o prazo médio das dívidas deve passar de 2,1 anos para 6,4 anos. Os pagamentos até 2028 devem cair de R$ 5,2 bilhões para cerca de R$ 400 milhões.
A companhia apresentou uma nova versão do plano de recuperação extrajudicial com apoio de 57,5% dos créditos sujeitos. Até 13 de julho, 97% dos credores optaram por uma das alternativas de recebimento. A expectativa é que a Justiça homologue o plano no terceiro trimestre.
A Ernst & Young apontou prejuízo líquido total de R$ 1,68 bilhão no primeiro semestre e déficit de R$ 4,1 bilhões em capital circulante líquido. A empresa teve R$ 4,39 bilhões em recursos de giro contra R$ 8,5 bilhões em obrigações de curto prazo. Os auditores indicaram incerteza relevante sobre a continuidade operacional, mas avaliam que a homologação da reestruturação deve resolver a liquidez de curto prazo.
