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    Lula e Flávio disputam aliados estaduais

    Nilson Tales GuimarãesNilson Tales Guimarães10/04/20265 Mins Read
    Lula e Flávio disputam aliados estaduais
    Foto: Evaristo Sá/AFP
    Facebook Twitter Pinterest WhatsApp

    A seis meses da eleíção presidencial, o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) mobilizam seus times, acirram o duelo por aliados e atuam para garantir palanques competitivos nos estados.

    A estratégia passa por barrar projetos de candidaturas próprias nos estados, tourear crises internas dentro dos partidos e contemplar aliados para ganhar capilaridade para as eleições de outubro.

    O PT avançou na definição dos palanques nas últimas semanas e caminha para ter candidaturas próprias ao governo em apenas dez unidades da federação. O número é inferior a 2022, quando a legenda teve 13 candidatos a governador, e a 2018, quando foram 16.

    Em outros 14 estados, o partido vai apoiar candidatos a governador de outras legendas. Estão previstas alianças de nomes do PSB e PDT, que fazem parte da base de Lula, além de candidatos do MDB, PSD, PP e até União Brasil.

    Parte das alianças deixou cicatrizes na relação entre a cúpula nacional do PT e líderes locais. Foi o caso do Rio Grande do Sul, onde a Comissão Executiva do PT deu um ultimato ao diretório estadual para apoiar a pré-candidatura de Juliana Brizola (PDT) ao governo.

    O PT gaúcho defendia o ex-deputado estadual Edegar Pretto para disputar o Palácio do Piratini. Nesta quinta-feira (9), o diretório local aceitou apoiar o PDT em prol da unidade. A decisão de cima para baixo deixou um rastro de descontentamento entre os petistas gaúchos.

    O Rio Grande do Sul foi um dos três estados nos quais o PDT pediu o apoio do PT. Os outros são o Paraná, onde o PT já fechou uma aliança com Requião Filho (PDT), e Minas Gerais, onde a negociação tende a ser mais difícil.

    O PDT defende a candidatura do ex-prefeito de Belo Horizonte Alexandre Kalil, mas Lula tenta convencer o senador Rodrigo Pacheco, que se filiou ao PSB, a concorrer ao governo mineiro.

    Um dos principais aliados do PT nos estados será o PSD, partido que confirmou a candidatura do ex-governador de Goiás Ronaldo Caiado ao Planalto. O PT deve apoiar candidatos da legenda no Rio de Janeiro, Mato Grosso e Amazonas.

    Também há possibilidade de aliança com o PSD em Sergipe, onde o governador Fábio Mitidieri endossa a reeleição de Lula.

    Em outros estados do Nordeste, o PT trabalha para ter mais de um palanque apoiando o presidente. É o caso da Paraíba, onde o partido selou apoio à reeleição de Lucas Ribeiro (PP), mas atua para ter Cícero Lucena (MDB), ex-prefeito de João Pessoa, no palanque do presidente.

    O cenário é semelhante em Pernambuco. A despeito do apoio formal do PT a João Campos (PSB), a cúpula do partido trabalha para que o presidente também seja apoiado pela governadora Raquel Lyra (PSD).

    Os palanques seguem indefinidos em Goiás e no Tocantins, onde há dúvidas sobre lançar ou não candidato, e Maranhão, onde há um racha do PT com o governador Carlos Brandão (sem partido).

    O PL vive um cenário de maior indefinição na construção dos palanques para a candidatura do senador Flávio Bolsonaro. O partido colocou como meta lançar ao menos uma candidatura ao governo ou Senado em todos os 26 estados e no Distrito Federal.

    A sigla tem pré-candidatos a governador em 12 estados, incluindo grandes colégios eleitorais como Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul. Em 2022, quando Jair Bolsonaro disputou a reeleição, foram 13 candidatos.

    Nas últimas semanas, o PL buscou reforçar sua presença no Nordeste com a filiação de Álvaro Dias, ex-prefeito de Natal e pré-candidato ao Governo do Rio Grande do Norte, e do senador Efraim Filho, que deixou o União Brasil para concorrer ao Governo da Paraíba.

    Também estão encaminhadas alianças com outros partidos em seis estados e no Distrito Federal. Cinco deles são da federação entre União Brasil e PP, legendas que Flávio Bolsonaro trabalha para trazer para o seu arco de alianças.

    Na Bahia, ao contrário de 2022, a legenda fechou uma aliança com o ex-prefeito de Salvador ACM Neto (União Brasil). Mas a chapa enfrenta atritos e não deve caminhar unida na eleição presidencial.

    ACM Neto tem endossado Ronaldo Caiado, de quem é amigo. Já os candidatos ao Senado da chapa, o ex-ministro João Roma e o senador Angelo Coronel (Republicanos), estarão no palanque de Flávio.

    No Ceará, Flávio Bolsonaro chegou a sinalizar uma aliança com o ex-governador Ciro Gomes (PSDB), mas recuou nesta semana e afirmou que as negociações estão temporariamente suspensas.

    O apoio do PL a Ciro Gomes enfrenta resistência da ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro, que defende a candidatura do senador Eduardo Girão (Novo) ao Governo do Ceará.

    Outro nó a ser desatado é Minas Gerais, onde a legenda se divide entre apoiar o governador Mateus Simões (PSD), o senador Cleitinho (Republicanos) e lançar ao governo o empresário Flávio Roscoe, que se filiou ao PL.

    Em estados do Norte, a tendência é que Flávio Bolsonaro tenha palanques duplos ou triplos. No Acre, três pré-candidatos disputam a direita bolsonarista: a governadora Mailza Assis (PP), o senador Alan Rick (Republicanos) e o ex-prefeito de Rio Branco Tião Bocalom (PSDB).

    Mesmo com promessa de polarização na eleição presidencial, PT e PL devem se enfrentar diretamente em poucos estados. Entre os pré-candidatos lançados pelas siglas, o embate acontece apenas no Rio Grande do Norte, Rondônia e Piauí.

    A busca por alianças amplas também envolve negociações com partidos de centro, que muitas vezes tentam manter apoio a ambos os lados da disputa nacional. Essa duplicidade de apoios é comum em eleições para governador, onde alianças locais podem ser diferentes das nacionais.

    Esse movimento político, intensificado a menos de meio ano do pleito, mostra a importância das bases estaduais para a eleição presidencial. A capacidade de formar chapas fortes nos estados é vista como um termômetro da força eleitoral de cada candidato.

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    Nilson Tales Guimarães
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    Formado em Engenharia de Alimentos pela UEFS, Nilson Tales trabalhou durante 25 anos na indústria de alimentos, mais especificamente em laticínios. Depois de 30 anos, decidiu dedicar-se ao seu livro, que está para ser lançado, sobre as Táticas Indústrias de grandes empresas. Encara como hobby a escrita dos artigos no Publisher Brasil e vê como uma oportunidade de se aproximar da nova geração.

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