O Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT) realizou, nesta sexta-feira, 7 de agosto, um evento no Sesi Lab para marcar os 36 anos do Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA). A ação contou com a presença de cerca de 180 crianças e adolescentes, de 7 a 18 anos, que vivem em unidades de acolhimento ou cumprem medidas socioeducativas.
Durante a tarde, os jovens participaram de atividades que misturaram ciência, cultura e cidadania. Eles visitaram as instalações do Sesi Lab, viram exposições, jogaram tabuleiros com estudantes da Universidade de Brasília (UnB) e passaram pelo estande da pesquisa Territórios da Construção de Si, onde puderam conversar com pesquisadores sobre participação juvenil e direitos.
Ao todo, o encontro juntou cerca de 220 pessoas, incluindo representantes da rede de proteção à infância e à juventude do Distrito Federal. O objetivo foi aproximar o público acompanhado pela Promotoria de Justiça de Defesa da Infância e da Juventude (PJIJ) das instituições que atuam na garantia de direitos. Todas as unidades de acolhimento e do sistema socioeducativo do DF foram chamadas para o evento.
Na abertura, o procurador-geral de justiça em exercício, Nísio Tostes, disse que proteger crianças e adolescentes não se limita a evitar violência, mas também envolve criar condições para o desenvolvimento de talentos e projetos de vida. As adolescentes Mariana de Souza e Anna Victória, pesquisadoras do projeto Territórios da Construção de Si, também estiveram presentes. Anna falou sobre a importância de conhecer o ECA para entender os próprios direitos e saber como acessá-los.
Cláudia Ramalho, superintendente do Sesi Lab, afirmou que o acesso à ciência, à cultura e à tecnologia também é uma forma de promover cidadania. David Alcides, de 20 anos, que saiu do acolhimento em 2023 depois de passar pelo Lar São José e hoje participa da pesquisa Territórios da Construção de Si, comentou que conhecer os direitos previstos no ECA é necessário, mas que ainda há obstáculos para que eles sejam cumpridos na prática.
A promotora de justiça Luisa de Marillac lembrou que a principal mudança trazida pelo estatuto foi tratar todas as crianças e adolescentes como sujeitos de direitos. Para ela, levar esse público a espaços de ciência e cultura é uma maneira de garantir esses direitos no dia a dia.
A celebração faz parte de um conjunto de ações da PJIJ para reforçar a proteção de crianças e adolescentes no DF, além de fiscalizar a rede de atendimento e acompanhar casos individuais e coletivos. O MPDFT desenvolve ainda outros projetos, como Mina, Ninho e Construindo Caminhos, em parceria com diferentes órgãos e entidades.
