As declarações de bens entregues pelos candidatos à Presidência da República à Justiça Eleitoral para as eleições de 2026 revelam uma grande diferença patrimonial entre os postulantes ao cargo. Os valores informados até agora variam de R$ 33 mil a R$ 242 milhões.
O escritor e psiquiatra Augusto Cury (Avante) registrou o maior patrimônio, com R$ 242 milhões em bens. Na outra ponta, Samara Martins (UP) declarou possuir R$ 33 mil. A diferença entre os dois patrimônios ultrapassa R$ 241,9 milhões.
A entrega da relação de bens é uma etapa obrigatória do registro de candidaturas. As informações são públicas e podem ser consultadas no sistema DivulgaCand. O prazo final para a apresentação dos dados termina às 19h deste sábado (15).
Patrimônios declarados
Augusto Cury informou que, dos R$ 242 milhões, cerca de R$ 121 milhões são referentes a empréstimos feitos à empresa Filadélfia Nature Participações. A declaração inclui ainda aproximadamente R$ 54 milhões em participações societárias e R$ 33 milhões em ações. O candidato a vice na chapa, Júlio Delgado, declarou R$ 3,5 milhões.
Romeu Zema (Novo) declarou R$ 178,7 milhões, um aumento de 37,7% em relação ao que informou em 2022. A maior parte dos bens está ligada a participações empresariais, incluindo R$ 94,5 milhões em uma holding familiar. Seu vice, Eduardo Girão, declarou R$ 34,1 milhões.
Ronaldo Caiado (PSD) registrou R$ 52,5 milhões, mais que o dobro do valor declarado em 2022, um crescimento de 111%. O candidato a vice, Gilberto Kassab, informou R$ 21 milhões em bens.
Wilson Grassi (Democrata) declarou R$ 50 milhões, com bens concentrados em imóveis, direitos sobre propriedades financiadas e participações em empresas. A candidata a vice, Suêd Haidar, declarou R$ 460 mil.
Flávio Bolsonaro (PL) informou R$ 8,2 milhões, um aumento de cerca de 370% em relação ao patrimônio apresentado em 2018. O principal item é uma casa em Brasília avaliada em R$ 6,2 milhões. O vice em sua chapa, Alfredo Gaspar, declarou R$ 565 mil.
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, informou R$ 4,8 milhões, uma redução de 35,7% em relação aos R$ 7,4 milhões declarados em 2022. A queda é explicada principalmente pela diminuição dos recursos em planos de previdência privada, que passaram de R$ 5,6 milhões para R$ 3,3 milhões. O vice-presidente Geraldo Alckmin declarou R$ 3,3 milhões.
Clariana Barão (DC) apresentou patrimônio de aproximadamente R$ 1,8 milhão, incluindo três casas, um apartamento, uma fração de terreno e um veículo Land Rover Discovery Sport avaliado em R$ 376 mil. A candidata a vice, Fabiana Torquato, declarou R$ 2,2 milhões.
Em sua primeira disputa eleitoral, Renan Santos (Missão) informou R$ 795 mil em créditos, poupança, bens de atividade autônoma e participações societárias. O vice, Coronel Medina, declarou R$ 1,6 milhão, incluindo uma medalha de ouro de R$ 200 mil e uma espada de oficial da Polícia Militar.
Edmilson Costa (PCB) declarou cerca de R$ 454,4 mil, valor 9,4% menor que o apresentado em 2014. O principal bem é 50% de um apartamento, avaliado em R$ 350 mil. A vice, Cleusa Santos, declarou R$ 1,79 milhão.
Samara Martins (UP) declarou o menor patrimônio, composto por um veículo de R$ 29 mil e R$ 4 mil em poupança. A candidata a vice, Raquel Bricio, informou não possuir bens.
Hertz Dias (PSTU) e Rui Costa Pimenta (PCO) registraram as candidaturas sem declarar patrimônio. Leonardo Avalanche (PRTB) ainda não havia concluído o registro até a publicação destas informações. Os dados podem ser alterados até o fim do prazo neste sábado.
