A primeira-ministra do Japão, Sanae Takaichi, enviou nesta terça-feira, 21 de maio, uma oferenda ao Santuário Yasukuni, considerado um símbolo do passado militarista do país. Ela não compareceu pessoalmente ao local, conforme informado por meios de comunicação e uma fonte próxima à política.
O santuário, que fica no centro de Tóquio, é dedicado a cerca de 2,5 milhões de soldados japoneses mortos em conflitos. Entre os homenageados estão alguns criminosos de guerra condenados após a Segunda Guerra Mundial. Por isso, o local é visto por outras nações asiáticas como um emblema do imperialismo e das ações do Japão durante o período da guerra.
A oferenda enviada por Takaichi foi um “masakaki”, um arranjo ritualístico feito com ramos de árvore e que inclui uma placa. A confirmação foi dada pela fonte à agência de notícias AFP. A emissora pública NHK e a agência Jiji Press também noticiaram o envio do presente pela primeira mulher a ocupar o cargo de primeira-ministra no país.
Desde o ano de 2013, nenhum primeiro-ministro em exercício visitou o santuário xintoísta. No entanto, os antecessores imediatos de Takaichi, Shigeru Ishiba e Fumio Kishida, costumavam enviar oferendas regulares durante os festivais semestrais que ocorrem na primavera e no outono.
Essas ocasiões costumam atrair dezenas de parlamentares japoneses que prestam homenagem no local. A prática também se repete em agosto de cada ano, marcando o aniversário do anúncio da rendição do Japão, feito pelo imperador em 1945.
O ex-primeiro-ministro Shinzo Abe foi o último a visitar o Santuário Yasukuni pessoalmente, em dezembro de 2013. A visita na época gerou forte reação dos governos da China e da Coreia do Sul. Até mesmo os Estados Unidos, aliado próximo do Japão, emitiram uma rara repreensão diplomática pelo ato.
Sanae Takaichi é conhecida por defender posições consideradas ultranacionalistas. Em períodos anteriores, quando ocupava cargos ministeriais em outros governos, ela já havia visitado o templo em várias oportunidades.
O Santuário Yasukuni permanece como um tema sensível nas relações do Japão com seus vizinhos, que sofreram com a ocupação japonesa no século XX. As homenagens de autoridades, mesmo que apenas através de oferendas, são frequentemente monitoradas e podem impactar o clima diplomático.
