O lutador australiano Jake Matthews, veterano dos meio-médios do UFC, compartilhou sua visão sobre a vida e a carreira antes de sua estreia em 2026, que acontece neste fim de semana contra Carlston Harris, em Macau.
Em sua última luta, contra Neil Magny, Matthews acreditava ter vencido por finalização ainda no primeiro round. Ele aplicou um mata-leão montado e, segundos antes do fim do round, o árbitro Perdios declarou o fim da luta após o braço de Magny cair. Matthews soltou o golpe e começou a comemorar, mas Magny se levantou e contestou a interrupção. O árbitro então anunciou que o round havia terminado e a luta continuaria.
“Assim que a luta terminou, olhando para trás, não foi a melhor situação, mas não há como voltar e mudar as coisas. Não temos uma máquina do tempo, então não fico remoendo isso”, disse Matthews. “A sensação de alívio quando você pensa que venceu uma luta é grande. Eu lutei com força no segundo round para conseguir a finalização, porque sabia que era tudo o que eu tinha. Assim que o round terminou, soube que estava em apuros.”
Matthews acabou perdendo a luta por finalização no terceiro round. A situação foi inédita para ele e para o UFC. “Em retrospecto, eu provavelmente deveria ter protestado e dito ‘Não!’. Deveria ter ficado no chão e dito: ‘Você pode me desqualificar se quiser, mas vou protestar’”, afirmou. “Deveria seguir as regras: a luta é encerrada, essa é a decisão, e caberia ao Neil recorrer. Mas somos lutadores. Se mandam continuar, a gente continua.”
O que ajudou Matthews a superar o ocorrido foi sua fé. “Acredito que tudo acontece por uma razão”, explicou o lutador, que se converteu ao islamismo em 2023. “Eu fiz tudo o que pude naquela luta, e o resultado foi o que foi. Enquanto você fizer tudo o que pode, a sua vida segue o caminho que deve seguir. Isso me ajuda a seguir em frente.”
Essa filosofia se aplica a todos os aspectos de sua vida. Para a luta deste fim de semana, Matthews inicialmente enfrentaria Muslim Salikhov, que se retirou do evento. “Se eu estava destinado a lutar neste card, eu teria um oponente. Se não, não teria. Isso me dá muito menos estresse”, disse. “Muitos lutadores falam sobre noites sem dormir, estresse com o resultado. Eu sei que vou dar cem por cento durante a luta e acredito que o resto está nas mãos de Deus.”