A venda de livros no Brasil registrou crescimento em 2025, de acordo com a pesquisa Produção e Vendas do Setor Editorial Brasileiro. O levantamento foi coordenado pela Câmara Brasileira do Livro (CBL) e pelo Sindicato Nacional dos Editores de Livros (SNEL), com apuração da Nielsen BookData.
Divulgado nesta quinta-feira, 28, o estudo mostra que foram vendidos ao mercado 185 milhões de exemplares físicos. O número representa um aumento de 6,5% em relação a 2024. O faturamento chegou a R$ 4,5 bilhões, com crescimento nominal de 7,7% e alta real de 3,3%.
Entre os subsetores, as editoras de Obras Gerais tiveram o melhor resultado, com 48% das vendas ao mercado. Os livros religiosos aparecem em segundo lugar, com 30%. Na sequência, vêm os didáticos (16%) e os científicos, técnicos e profissionais, os CTP (6%).
Somando as vendas para o mercado e para o governo, foram produzidos 100 milhões de exemplares de Obras Gerais, alta de 14,9%. Foram vendidos 102 milhões de exemplares, aumento de 20,7%, com faturamento de R$ 1,8 bilhão, alta de 11,1%. Em termos reais, o crescimento foi de 6,6%.
O resultado está ligado, em parte, ao fenômeno dos livros de colorir, que se tornou popular em 2025. A pesquisa também reafirma os dados do Panorama do Consumo de Livros, divulgado em março, que apontou os jovens adultos, de 18 a 34 anos, como os maiores consumidores de livros no país.
“O Panorama do Consumo de Livros mostrou um aumento no número de consumidores de livros no país, especialmente entre jovens e públicos mais conectados às redes sociais e à cultura digital. Já a pesquisa de Produção e Vendas mostra que esse movimento também começou a se refletir de forma concreta no desempenho econômico do setor”, afirma Sevani Matos, presidente da CBL.
Entre os gêneros, o maior crescimento no faturamento foi registrado por Didáticos e Ficção Adulta, ambos com alta de 12% em relação a 2024. Os religiosos cresceram 7%. Infantil e Juvenil teve alta de 5,3%. Não Ficção Adulta registrou o menor aumento, de 2,6%, mas liderou o crescimento de exemplares vendidos, com 15,4%.
Os religiosos ainda lideram o número de exemplares vendidos, seguidos por Não Ficção Adulta, Infantil e Juvenil, Ficção Adulta e Didáticos.
As vendas ao governo tiveram queda de 9,9% no faturamento em relação a 2024, o que reduziu o resultado geral. Somando vendas ao mercado e ao governo, o setor teve recuo de 2,9%. A variação é considerada comum, já que as vendas ao governo são sazonais.
Outro destaque da pesquisa foi o crescimento de 12,4% no faturamento com vendas a livrarias. As livrarias exclusivamente virtuais tiveram alta de 1,5%. Em 2025, as lojas físicas representaram 28,9% do faturamento do setor.
“Os dados mostram crescimento da participação das livrarias no faturamento das editoras e no volume de exemplares vendidos, o que é bastante relevante. Isso demonstra que, mesmo com o avanço do digital e das redes sociais, as livrarias seguem exercendo um papel fundamental como espaço de descoberta, experiência cultural e conexão entre leitores e livros”, diz Sevani Matos.
A CBL, o SNEL e a Nielsen BookData também divulgaram a pesquisa Conteúdo Digital do Setor Editorial Brasileiro. O levantamento mostra que a venda de livros digitais segue em crescimento. As editoras contam com um acervo de 149 mil títulos, sendo 90% em e-book e 10% em audiolivros.
Foram vendidas 13,2 milhões de unidades avulsas, sem assinatura. Os livros de ficção representaram o maior percentual de vendas pela primeira vez, com 41%. Não ficção aparece com 39% e CTP, com 20%.
O faturamento com vendas avulsas foi de R$ 188,2 milhões, um crescimento real de 5,8%. Em outras categorias, como plataformas educacionais, bibliotecas virtuais, cursos online e assinaturas, o faturamento foi de R$ 265,5 milhões, alta de 5,3% em termos reais. A soma representa um crescimento real de 5,5% para o setor de conteúdo digital.
